À conversa com… Paulo Pereira, CBDO da LOQR

Homem a beber café em copo de plastico com telemóvel na mao
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Paulo Pereira é o Chief Business Development Officer da LOQR, desde maio de 2020 e acionista desde a sua criação. Além de fazer parte da equipa de gestão, é responsável pela área de Negócio, tendo a seu cargo a gestão das áreas de Estratégia e Análise de Negócio, Desenvolvimento de Negócio e Vendas e, ainda, Marketing e Comunicação.

A LOQR foi recentemente reconhecida pelo Building Global Innovators com uma das 25 scaleups mais promissoras em Portugal, é distinguida pelo segundo ano consecutivo uma das top 30 Fintechs em Portugal, no Portugal Fintech Report 2020 e integra o REGTECH TOP 21 report da MEDICI e da EY. Qual a importância destes reconhecimentos para a LOQR?

Para a LOQR estes reconhecimentos são muito gratificantes e reforçam a importância e o impacto que temos nas organizações com as quais trabalhamos, no ecossistema e na sociedade e, naturalmente, também acabam por nos trazer uma maior visibilidade.

Como é que a LOQR encara esta crise pandémica e todos os desafios inerentes, uma vez que estão focados na digitalização dos processos das organizações, cruciais nesta fase?

Com esta crise pandémica, o mundo teve que, rapidamente e de forma acelerada, tornar-se ainda mais digital.

A LOQR, para responder às necessidades dos seus clientes, sentiu um maior volume de trabalho e entregou soluções em tempo recorde, tais como: recuperação de acessos ao homebanking, concessão de crédito em tempo real, moratórias, aberturas de conta, entre outras.

Terminámos o ano que passou com resultados bastante satisfatórios, tendo captado tantos clientes como nos cinco anos anteriores.

Começamos 2021 atentos ao mercado e confiantes com o futuro. “Empowering Digital Lives” é a nossa visão, a mesma que nos propomos a cumprir diariamente.

Num momento em que existe uma maior necessidade de produtos e de serviços digitais, qual a importância da identidade digital?

No passado a nossa identidade era validada de forma física, ou seja, tínhamos de apresentar presencialmente um documento de identificação.

Aquilo que se altera neste paradigma digital, é que essencialmente a identidade pode ser confirmada sem a necessidade de um contato presencial. Passa a existir uma validação através de mecanismos de OCR avançados e de processos de due diligence que dispensam a presença física dos clientes, no momento da sua autenticação.

Um exemplo simples é a validação biométrica, disponível em smartphones e em que o dispositivo é desbloqueado através do reconhecimento facial, usando como interface a câmara do dispositivo. Por detrás deste processo, aparentemente simples, existe toda uma complexidade baseada em algoritmos que garantem a segurança e a conformidade do processo de verificação da identidade digital.

A abertura de uma conta bancária é um outro exemplo da importância da identidade. Antes, tínhamos que nos deslocar a um balcão, era a única forma que a instituição tinha de validar que eu sou quem digo ser. Perante isso, o funcionário do banco desencadeava o processo digital, nos sistemas do banco, embora eu tivesse, mesmo assim, que assinar um contrato. O que a LOQR permite, hoje em dia, com esta verificação da identidade de forma remota, é eliminar este passo, ou seja uma verificação física, permitindo aos clientes fazê-lo de forma cómoda, rápida e segura a qualquer hora em qualquer lugar, desde que o acesso à internet esteja assegurado.

Que desafios decorrem do facto da LOQR estar presente em vários mercados, com quadros legais distintos?

A LOQR trabalha essencialmente com bancos, que se enquadram num setor altamente regulado. Naturalmente que existem desafios associados, mas dispomos de uma forte componente de compliace que assegura o entendimento legislativo e que a plataforma da LOQR responde e suporta de forma totalmente compliant e segura as adaptações necessárias à legislação me vigor, em cada um dos mercados em que atuamos.

Para reforçar o facto de trabalharmos com tecnologia de ponta e com soluções de vanguarda, naquilo a que à regulamentação se refere, ressalvamos que o nosso Chief Compliance Officer e co-fundador é o Bastonário da Ordem dos Notários, algo que transmite bastante confiança aos nossos parceiros de negócio.

A LOQR é uma empresa com um produto único, mas não com um único produto, correto?

Correto! A LOQR disponibiliza uma plataforma, na qual estão disponíveis um conjunto de produtos e de serviços.

Temos produtos que nos diferenciam no mercado, mas acima de tudo e o que nos distingue é a capacidade de gerir todo o ciclo de vida de identidades digitais, através da nossa plataforma one-stop-shop que fornece soluções chave-na-mão, algo que permite às organizações disporem das ferramentas necessárias para a criação de um verdadeiro canal digital integrado.

Estamos continuamente a trabalhar no nosso roadmap de produtos / serviços para aprimorar as nossas soluções. As parcerias de negócio que estabelecemos, baseadas em relações de confiança e de transparência permitem-nos estar alinhados e antecipar algumas das suas necessidades dos nossos clientes e adequar as nossas soluções às necessidades de cada organização.

No caso da abertura de conta bancária remota, por exemplo, o utilizador efetua uma jornada digital com duas soluções complementares, sustentadas em dois produtos, o VerifyID e o SignID, mas existem outras jornadas onde cada um dos produtos poderá ser utilizado de forma separada.

De Felgueiras para o mundo, a LOQR sente um desafio acrescido ou as novas tecnologias de informação permitem ultrapassar as distâncias?

A LOQR tem uma enorme capacidade para funcionar em regime de teletrabalho. Fomos uma das primeiras scaleups em Portugal que teve 100% da força de trabalho a trabalhar remotamente, sem que a nossa produtividade fosse afetada.

Com os nossos parceiros de negócio fomos forçados a substituir as reuniões presenciais por vídeo-chamadas, algo que nos tempos modernos acaba por ser cada vez mais comum em virtude da globalização.

Diariamente lidamos com vários stakeholders espalhados pelo globo e não sentimos entraves de maior, uma vez que utilizamos todas as ferramentas e softwares ao nosso dispor para facilitar esta distância física.

Aquilo de que sentimos mais falta é do toque, do abraço e de estarmos todos juntos nas nossas instalações, que estreámos em dezembro de 2019.

Onde é que a LOQR ambiciona estar daqui a cinco anos?

Ambicionamos ser uma FinTech Marketplace com uma posição privilegiada a partir de 2023, com a nossa plataforma implementada em diversos bancos, capitalizando a infraestrutura existente e auxiliando outras entidades terceiras para que estas evitem o fardo de integrações e perdas de tempo nos processos longos de procurement.

Em números, a ambição da LOQR em cinco anos é, esperamos nós, ter uma faturação de aproximadamente dez vezes mais, mas está claro que depende de um conjunto de fatores endógenos e exógenos.

Isto passará por um plano de maior investimento na internacionalização da LOQR, após um ciclo de crescimento interno que consideramos cada vez mais robusto, mas também ele em constante evolução.

Paulo, se tivesses que definir a LOQR numa frase, qual seria?

A LOQR é uma fábrica de ideias infinitas, ideias que passam por simplificar a vida das organizações e das pessoas, rumo a uma sociedade cada vez mais digital!